Resenha: A menina que roubava livros.

Creio eu que todo o tempo que levei para terminar esse livro foi porque era tudo forte demais para ser digerido. O que senti com “A Menina que Roubava Livros”  foi tão forte quanto com o “Caçador de Pipas”. Quando vi a foto do Markus Zusak no final do livro fiquei chocada, porque uma pessoa tão nova escrever com tanta clareza sobre uma época que nem chegou a viver, me impressiona. Liesel é provavelmente minha protagonista favorita para sempre. Ela é tão pequena, corajosa e tão apaixonada pelas palavras. Em um universo em que tudo está desmoronando ela encontra nos livros, não uma maneira de fugir, mas sim de deixar tudo melhor. Ela tem o privilégio de, mesmo após uma tragédia, ganhar uma nova família, que mesmo com seus altos e baixos, cuida dela e a ama com todo o coração. Ela tem um pai que dá a ela o melhor presente que ela poderia ter: o dom de domar as palavras. E ela os faz muito bem, até melhor do que ele depois de um tempo. A narradora não se mostra muito simpática no começo, mas é compreensível, já que ela tem o pior emprego do mundo. Mas com o tempo você esquece quem ela realmente é e começa até mesmo a admirar o jeito que ela admira Liesel. Como não admirar ambas? A morte acaba sendo na verdade a maior fã de Liesel e suas conquistas. Desde esconder um judeu no porão durante a 2º guerra mundial até o dia em que ela decide escrever sua própria história. O livro é cativante e por inúmeras vezes senti como se a morte segurasse meu coração e o balançasse. Qualquer tristeza que vivemos hoje parece bobeira perto do que Hans, Rosa, Rudy, Max e Liesel viveram. Impossível não ter vontade de acordar toda madrugada e ter seu pequeno momento de leitura como Liesel tinha. “A Menina que Roubava Livros” é uma lição de bondade, de uma família que desobedeceu todos os limites por gratidão. Uma garotinha que amou muito além do preconceito que os rondava. Uma história que tornou cada um de seus personagens, heróis. Com um final doce e cruel, esse é um daqueles livros que você jamais esquece. E por que deveria? Cada lição pode ser levada para sempre. Como as palavras podem ser mais fortes que qualquer prisão, que qualquer força bruta. Que algumas vezes, o amor verdadeiro vem acompanhado de xingamentos e lições duras demais para serem aceitas no momento. Liesel pode finalmente ter tido a chance de conhecer a grande autora de sua história, mas a verdade é que ela está eternizada no coração de milhões de pessoas que viram na garotinha loira de olhos negros o quão bonitas e destrutivas as palavras podem ser. Que tal um beijo, saumensch ?

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3 comentários sobre “Resenha: A menina que roubava livros.

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