Uma história de saudade.

Nunca precisei ir longe demais. Era como um caminho de pedras brilhantes, chamando meu nome, me sugando em direção ao precipício. Sempre gostei de gostar. Sempre achei que gostar, me faria feliz. E gostei, gostei muito. Gostei de tudo um pouco, gostei muito mais do que odiei. Amei também. Amei coisas que me faziam feliz. Amei caminhos, amei memórias, amei pessoas. Amei você. E ai, tropecei.

O caminho de pedras era lindo, enquanto eu usava calçados. Mas agora eu estava descalça e meus pés estavam sangrando, meu coração estava sangrando. E eu procurava nos cantos os outros amores, os que não me machucaram, mas nunca era igual. Porque seu amor martelava e me fazia acordar e entrava nos meus sonhos e bagunçava minhas gavetas. E eu encontrava você em todo livro que eu lia, todo filme que eu assistia, toda música que eu ouvia. E doía mais. E ainda dói, menos, mas dói. E toda melodia soa como a sua voz. Aquela que eu não esqueço. E toda história de amor, me lembra da nossa história. Que não é mais de amor. É uma história de saudade. Talvez só seja de saudade pra mim, mas é. Meus pés ficaram calejados e estou mais acostumada ao caminho de pedras. Elas já não brilham tanto, não importa o quanto eu as lustre. Eu não sangro mais. De vez em quando, vem uma pontada, e eu sorrio sozinha, mas ai paro, porque lembro que você não é mais dono daqueles sorrisos e eu não quero sorrir para o nada. E eu odeio como você ainda é minha maior inspiração. E eu odeio como você estava certo em sentir ciúmes da única pessoa que eu nunca pensei que ia gostar de gostar. E eu gosto de gostar, mas não gosto de amar. Porque sempre parece que vai doer de novo e de novo. E eu arrumei minhas gavetas e não quero que você volte para as bagunçar. Mas todo dia eu sussurro “Por favor, volte para bagunçar minha vida, só mais um pouquinho”. E ai noto que você me fez odiar novas coisas. E eu te odeio por isso. Sem eira nem beira, eu continuo andando, gostando de tudo, não amando nada. E eu espero que meu coração não tenha ficado tão duro quanto meus pés, naquele caminho de pedras. Espero que você não tenha me congelado para sempre. Espero que você derreta por ai e me deixe derreter junto. E eu, que gostava tanto de gostar, agora odeio gostar de você.

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