O amor que eu tanto esperei.

E logo eu, que costumava empurrar qualquer um para longe quando eles se importavam, estou aqui te implorando para se aproximar. Passei tanto tempo presa em amores impossíveis, que quando o possível bateu a minha porta, a tranquei, com medo de que parte de mim ele poderia despedaçar. E eu sou tão confusa que costumo me apaixonar por duas pessoas ao mesmo tempo. Mas dessa vez, eu juro, é só você. É como se todas as setas, que costumavam ser tão embaralhadas quanto eu, apontassem apenas para você. Como se o foco fosse você. E quando meus dedos deslizam pelo seu braço, e eu fingo que é sem querer, a verdade é que, não é. Quando eu tropeço, me descabelo ou fico em silêncio tempo demais, é tudo por causa de você. E quando você sorri e eu sei que é por algo que eu disse, eu quase não consigo me conter. E eu adoro seu perfume e te adoro até quando você não está com ele. Adoro seu jeito resmungão e como você bate o pé. E eu acho que amor é isso. Mas eu não entendo muito de amor. Eu sei de longe quando você está tendo dias ruins. Eu te vigio, te persigo, mas prometo que se um dia você encontrar alguém que te faça melhor que eu, eu vou sorrir, pelo menos por fora. Você sabe que sou muita boa em fingir! E nas pequenas desculpas em que encontramos para ficarmos tão próximos que um suspiro nos faria desabar, nós brigamos. E fazemos as pazes e fingimos que nada aconteceu e brigamos novamente. Você me estilhaça, mas seus olhos colam todos os meus pedaços. E eu nunca me senti assim e eu costumava odiar isso. E quando estou longe de você, imaginando como estaremos se estivermos juntos daqui a dez anos, eu odeio você por roubar minhas horas. Roubar meus sonhos e simplesmente se enfiar em cada um deles. É doentio como agora você está em cada parte do meu, já programado, futuro. Você é um intruso que rouba meus versos, minhas músicas, meus sorrisos. Que me deixa tão alta quanto o álcool, tão perdida como um turista no aeroporto. Você me deixa vermelha de vergonha, roxa de ciúmes e verde de enjoo. Suas borboletas idiotas me dão enjoo, mas eu as amo cada dia mais. Toda vez que tento me afastar é como se você me puxasse de volta e gritasse na minha cara que nós nos pertencemos. Nós damos tanto trabalho e ninguém imagina o quanto a gente combina. Nós somos opostos tão parecidos que se encaixam, mas se quebram de propósito. Nós somos esse eterno brinquedo no conserto, que não tem mais jeito, mas a criança não quer abandonar. E então, ela acaba o aceitando mesmo assim. Faltando um olho, sem um perna, riscado. É assim que eu te aceito. Com todos os problemas, os dias ruins, as piadas sem graça, a birra por ser mimado. E por mais que as pessoas tentem nos dar novos presentes, somos essas teimosas crianças que se agarram ao ursinho com olhos de botão e o levam para todo canto. Talvez esse seja o feito: Quebrados, nós combinamos. Quebrados, nós nos consertamos.

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