O que eu costumava chamar de amor.

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Comecei a achar que entendia de amor aos 14 anos. Naquele momento, achei que estava apaixonada, completa e que mais nada no mundo tiraria aquele sentimento de mim. Penou, fiz um drama desnecessário, mas passou. Passou rápido demais, o que quer dizer que não era amor. Com 16 me apaixonei novamente, dessa vez por alguém que mal sabia meu nome. Era mais velho, mas tão infantil quanto todos os outros. Conforme eu observava, de longe, via aquela pessoa brilhar mais e mais. Aquilo era amor. Eu não enxergava os defeitos, porque obviamente ele não tinha nenhum e nas poucas vezes em que falou comigo, foi a pessoa mais educada possível. O tempo passou, aquela pessoa se formou e foi embora (da escola e da minha vida). Um mês depois, a imensa e incessante falta que eu sentia da pessoa, passou. Não era amor.
Meses depois, eu notei algo que estava na minha frente o tempo todo. Alguém que esteve por perto desde sempre e que com muito pouco fazia meu coração palpitar e dar pulos de alegria. Era aquilo. Aquilo era amor. O sentimento de posse, o ciúme excessivo, as brigas sem motivo nenhum, a falta que não era gostosa, era dolorida. As pazes que não duravam nem 5 minutos, as discussões que duravam dias. A falta de ar que costumava ser causada pela excitação de estar perto daquela pessoa foram substituídas pela falta de ar que vem com a dor, as lágrimas e a vontade de fazer tudo diferente. Tinha alguma coisa errada, não fazia sentido: aquilo não era amor. Por alto, eu sabia o que era amor. Meus pais são cheios de amor. O amor romântico. Meus amigos me dão muito amor, minha cachorrinha me fornece uma fonte infinita de amor. Aquilo, aquela sensação sufocante de necessidade, poder, o jogo de gato e rato pra manter tudo mais interessante: aquilo não era amor.
Juro que me decepcionei. Nem por um instante parei para pensar que não tinha sequer 18 anos e já estava pensando no quão solitária a vida seria sem amor. E então notei que amor é tão mais. Mais que um sentimento ligado ao romance, mais que algo colocado em um tabloide pelos tão amados filmes de romance. Amor é cuidar, é querer bem, é retribuir. Amor de mãe e pai, de amigos, de irmãos, de avô, de Deus. Tanto amor, em todo lugar e eu querendo continuar buscando.
Nadando em um rio de amor e achando que eu precisava de mais água doce, do amor romântico e eterno. Talvez eu precise, daqui um tempo. Dez dias, dez meses, dez anos. Talvez eu não precise nunca. Mas aprendi a parar de procurar. A parar de medir e construir amores impossíveis onde não tem terreno pra nascer. Porque, infelizmente, essa é a verdade. No meio do deserto, não há água doce que faça um harém surgir do nada. Mas no fundo do rio, não há um só dia em que uma nova plantinha não surja. Porque é isso que aproxima o amor. Mais amor.

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